sábado, 22 de setembro de 2007

Velha Infância


Você é assim,
Um sonho pra mim,
E quando eu não te vejo.
Eu penso em você,
Desde o amanhecer,
Até quando eu me deito.

Eu gosto de você.
E gosto de ficar com você.
Meu riso é tão feliz contigo.
O meu melhor amigo é o meu amor.

E a gente canta,
E a gente dança
E a gente não se cansa.
De ser criança,
A gente brinca,
Na nossa velha infância.

Seus olhos meu clarão.
Me guiam dentro da escuridão.
Seus pés me abrem o caminho.
Eu sigo e nunca me sinto só.

Você é assim,
Um sonho pra mim,
Quero te encher de beijos.
Eu penso em você,
Desde o amanhecer,
Até quando eu me deito.

Eu gosto de você,
E gosto de ficar com você.
Meu riso é tão feliz contigo.
O meu melhor amigo é o meu amor.

E a gente canta,
E a gente dançar,
E a gente não se cansa.
De ser criança,
A gente brinca
Na nossa velha infância.

Seus olhos meu clarão,
Me guiam dentro da escuridão.
Seus pés me abrem um caminho.
Eu sigo e nunca me sinto só.

Você é assim, um sonho pra mim, você é assim.
Você é assim, um sonho pra mim, você é assim.


(Marisa Monte)



quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Estrelas



" 'Oras (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdestes o senso!' E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouví-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como uma pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: 'Tresloucado amigo!
Que conversas com ela? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?'

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode Ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender as estrelas."


(Olavo Bilac)


Em agradecimento ao acontecimento último, em que senti-me no céu, envolta em estrelas, amparada pelos anjos de Deus...

Mio Cielo



Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!


(Mario Quintana - Das Utopias)

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Se te amo, não sei!




Amar! se te amo, não sei.
Oiço aí pronunciar
Essa palavra de modo
Que não sei o que é amar.


Se amar é sonhar contigo,
Se é pensar, velando, em ti,
Se é ter-te n'alma presente
Todo esquecido de mim!


Se é cobiçar-te, querer-te
Como uma bênção dos céus
A ti somente na terra
Como lá em cima a Deus;


Se é dar a vida, o futuro,
Para dizer que te amei:
Amo; porém se te amo
Como oiço dizer, — não sei.


Sei que se um gênio bom me aparecesse
E tronos, glórias, ilusões floridas,
E os tesouros da terra me oferecesse
E as riquezas que o mar tem escondidas;


E do outro lado — a ti somente, — e o gozo
Efêmero e precário — e após a morte;
E me dissesse: "Escolhe" — oh! jubiloso,
Exclamara, senhor da minha sorte! —


"Que tesouro na terra há i que a iguale?
Quero-a mil vezes, de joelhos — sim!
Bendita a vida que tal preço vale,
E que merece de acabar assim!"


(Gonçalvez Dias - Manaus - 25 de junho de 1861)




quarta-feira, 5 de setembro de 2007

A Flor em Botão



Nova vida esculpida sem medo
da chuva de granizo
Durante o amor (des) medido
Com o olhar que não precisa
da luz do candeeiro sustentado
pela mão do horizonte

Veio de um favo de mel feito
do néctar de análise apurada
Nesta colméia o zangão não é
ocioso e a rainha mestra
administra e ama constantemente

Será como o reflexo do espelho
animado pela graciosa valsa
dos rios

Antes eu apenas arranhava as
cordas desafinadas de uma harpa
Agora toco e sensibilizo os
ouvidos do vento e ouço a mesma canção

Amo-lhe além do subjetivismo
Além do poder da idéia
Além da sensibilidade escrita
nos planos do menestrel

É ainda como a flor em botão
Mas receberá nos rápidos passos
das horas em suas pétalas as
cores definitivas que a levarão
ao êxito.

Outono de 1986

(JAS)



A ti, querido e amado pai, porque sei que ainda a cantas para mim...