quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Canção do Exílio



"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

(Gonçalves Dias)



Não que seja esta a minha grande saudade... ;)

Mas desejei expor aqui uma de minhas preferências poéticas, um brasileiro longe do seu lar, náufrago em terras portuguesas...

Para vermos que nem sempre os critérios para a felicidade são iguais para todos... :)

E que Deus reserva-nos exatamente aquilo de que precisamos, ainda que como crianças, não entendamos de pronto Seus justos desígnios...

Hoje minha saudade de ti fala mais alto, querido, mas nem por isso esquecerei nosso almejado reencontro já marcado, definido e inadiável... :)

Mi piace tutto di te... per questo il mio immenso amore...




segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A Bailarina



Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá

Não conhece nem lá nem si
mas fecha os olhos e sorri

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

(Cecília Meireles)


terça-feira, 14 de agosto de 2007

AMOR



Ainda que eu falasse línguas,
as dos homens e as dos anjos,
se eu não tivesse amor,
seria como um bronze que soa
ou como um címbalo que tine.

Ainda que eu tivesse o dom da profecia,
o conhecimento de todos os mistérios
e de toda a ciência,
ainda que tivesse toda a fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tivesse amor,
eu nada seria.

Ainda que eu distribuísse
todos os meus bens aos famintos,
ainda que eu entregasse o meu corpo às chamas,
se não tivesse amor,
isso nada me adiantaria.

O amor é paciente
o amor é prestativo
não é invejoso, não se ostenta,
não se enche de orgulho.

Nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
não se irrita, não guarda rancor.

Não se alegra com a injustiça,
mas se regozija com a verdade,
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.

Quanto às profecias, desaparecerão.
Quanto às línguas, cessarão.
Quanto à ciência, também desaparecerá.
Pois o nosso conhecimento é limitado,
e limitada é nossa profecia.

Mas quando vier a perfeição,
o que é limitado desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança,
pensava como criança, raciocinava como criança.

Depois que me tornei homem,
fiz desaparecer o que era próprio de menino.
Agora vemos em espelho e de maneira confusa,
mas, depois, veremos face a face.

Agora o meu conhecimento é limitado,
mas, depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora, portanto, permanecem fé, esperança, amor.
Estas três coisas.
A maior delas porém,
...é o AMOR.


(Apóstolo Paulo, aos Coríntios)



Ao nosso dia de hoje, meu amado e querido poeta, uma homenagem por todas as valiosas surpresas que recebemos da Vida e do Celeste Pai, meu canto de agradecimento por mais estes sorrisos... teus, todos teus e para sempre teus, na alegria de compartilhar contigo destes momentos inesquecíveis...

Ti sono molto grata, oggi e sempre, mio dolce amore :)

domingo, 12 de agosto de 2007

A paz sem vencedor e sem vencidos



A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos


(Sophia de Mello Breyner Andresen)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Sina



A' tardinha quando Phebo já declina
ungida de ternura e suavidade, eu me
ponho a cismar, sem que me enfade,
na escravidão de amor, que é minha Sina!


E sobre o astro Sol, parece que reclina
um Deus soberbo da pagã Hellade...
outro não tem maior virilidade...
nem se iguala em graça masculina!


Então apresso-me a venerar seu vulto,
e, enquanto o coração repica o sino
meus lábios ofertam preces de culto!...


Sonhar assim é meu prazer supino,
e dentro deste templo vibro e exulto,
se devota de ti eu me imagino!...

(Efigênia Coutinho)

Oração a Jesus


Louvado sejas, Senhor,
Na glória do lar celeste,
Pelos bens que nos trouxeste,
No evangelho da nossa redenção.
Na tarefa renovada,
Que Teu olhar nos consente,
De Espíritos referentes,
Nós rogamos pelo Teu amor.
Pobres cegos,
Que desde ontem,
Fugimos à luz à qual nos elevas,
Hoje a nossa oração rompe as trevas.
Escuta-nos, Mestre,
E se possível vem,
Retificar nosso passo,
A fim de que trilhemos
A estrada corrigida.
Vem sustentar-nos a lida,
Na fonte inesgotável do eterno bem.
Dá-nos, Jesus, Tua benção,
Benção que nos conforta,
Benção que nos levanta,
Para que Tua Doutrina santa,
Esse imbatível consolador,
Vibre pura, viva dentro de nós.
Faze, senhor,
Com que nós todos,
Nesta caminhada incessante,
A cada dia, a cada instante,
Possamos ouvir-Te a voz.
Ampara-nos a esperança,
Socorre-nos a pobreza,
E liberta nossa alma ainda presa
De tanta milenária imperfeição.
Mestre excelso de toda a verdade,
Hoje, amanhã,
E sempre em toda parte,
Ensina-nos a guardar-Te,
Com unção,
Com devoção,
E com inesgotável gratidão,
Na intimidade sincera,
Ainda que singela,
Do nosso próprio coração.

Muito obrigado, Senhor!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Amore mio

O verdadeiro amor nunca se esgota...
Quanto mais se dá, mais se tem...
(Saint-Exupéry)


... um terço de dia ao pé de ti...

tua voz embalando meus pensamentos com sonhos e planos...

perdão! nem assim deixo de estar saudosa...

tu... és sempre tu...

aquela brisa que dirige a embarcação pelo mar da vida...

tuas generosas e seguras sugestões...

teus cantos de amor...

o verão que teima em permanecer em mim...

o frio da saudade dissipado pelo vento quente do infinito...

se eu pudesse definir...

fazer-te sentir...

o que trago em meu peito...

desfeitas... todas as tristezas...

seguras incertezas...

na luz do teu sorriso...

na espontaneidade do gesto...

no carinho retido num suspiro...

quero atender teus pedidos...

desejo estar contigo...

sim, floresce o tempo...

perde-se as horas... ganha-se o reencontro?

se és da correnteza o leme e da barca a bússola...

que direi de mim?

de onde veio a coragem, amore mio...

por que nenhum receio nos invadiu?

será Deus a guiar-nos?

olhos de aurora... passos de gratidão...

sentimento de retorno ao lar...

(MP)

Eterno Paraíso



Nunca será tarde para murmurar teu nome
para cantarolar as cantigas antigas
para navegar ao vento a todo pano
e banhar-me nas águas do teu mar.

Nunca será tarde para retirar a cinza
acumulada nesta ausência desta estrada
para desbaratar os laços de desilusões
e voltar a rir outra vez entre as flores...

Se eu escutar o arrebatamento dos
teus sonhos, tuas mãos para aquecer-me...
teus beijos, o sumo que enternece-me
e em teus passos o desejo de buscar-me...

que mova-se todo o Universo a nossa volta
e recriaremos para nós o Eterno Paraíso...

(Efigênia Coutinho)


O Ballet


Danço,
Não apenas por dançar,
Mas por sentir em cada partícula de meu corpo
As notas de uma música que nunca pára;
Uma música que surge dentro de mim
cada vez que eu penso em dança.

Meu corpo ganha uma via exuberante,
Um brilho que nenhum ser humano tem,
Minhas mãos falam várias línguas,
Que todos conseguem entender.

Meus pés ganham vida como se dançassem sós,
Meu corpo grita,
todas as palavras do meu espírito,
Como se nunca tivesse falado.

Isso é dançar,
Isso é viver a dança,
E sentí-la cada vez mais.

Isso é apenas dançar...

sábado, 4 de agosto de 2007

Se eu te dissesse


SE EU te dissesse que cindindo os mares,
Triste, pendido sobre a vítrea vaga,
Eu desfolhava de teu nome as pétalas
Ao salso vento, que as marés afaga...

Se eu te dissesse que por ermos cimos,
Por ínvios trilhos de uni país distante,
Teu casto riso, teu olhar celeste
Ungia o lábio ao viajor errante;

Se eu te dissesse que do alvergue à ermida,
Do monte ao vale, da chapada à selva,
Junta comigo vagueou tua alma;
Junta comigo pernoitou na relva;

Se eu te dissesse que ao relento frio
Dei minha fronte à viração gemente,
E olhando o rumo de teu lar — saudoso,
Molhei as trevas de meu pranto algente;

Se eu te dissesse, bela flor das saias!
Que eu dei teu nome dos sertões às flores!...
E ousei, na trova em que os pastores gemem,
Por ti, senhora, improvisar de amores;

Se eu te dissesse que tu foste a concha
Que o peregrino traz da Terra Santa,
Mago amuleto que no seio mora,
Doce relíquia... talismã que encanta!... ;

Se eu te dissesse que tu foste a rosa
Que ornava a gorra ao menestrel divino;
Cruz que o Templário conchegava ao peito
Quando nas naves reboava o hino;

Se eu te dissse que tu és, criança!
O anjo-da-guarda que me orvalha as preces...;
Se eu te disserte... — Foi talvez mentira! —
Se eu te dissesse... Tu talvez dissesses...

(Castro Alves)


Posso tentar dizer-te, buscar definir... mas como explicar as alegrias que me dás, o valor das tuas palavras, o calor do teu abraço, a natureza do teu afeto brando e carinhoso?
Desejo viver com muita responsabilidade essa afeição que nos uniu e dar-te tudo aquilo que recebo de ti, meu querido e generoso poeta, para que continuemos juntos e felizes, desfrutando desse amor que nos impulsiona, repleto de contentamento e meigo companheirismo...

Amo-te no mais profundo do meu coração!!

Amar e ser amado



Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente

Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!

Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento:

Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano —,
Beijar teus dedos em delírio insano

Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante — amado —
Como um anjo feliz... que pensamento!?

(Castro Alves)

Falar de amor...



Falar de amor significa falar de Deus
Da harmonia que envolve os filhos Seus.

Falar de amor significa falar da vida
Da força que põe a alma sempre para cima.

Falar de amor significa falar de nossas relações
Daquelas que nos faz viver as mais belas emoções.

Falar de amor significa falar da natureza
Da energia que transforma tudo em beleza.

Falar de amor significa falar do progresso
Do trabalho que resulta em sucesso.

Falar de amor significa falar de ação.
Da vida que está em contínua movimentação.

Oh! Belo Amor
Tu és a força do Criador
És o único agente
que pode suprimir a dor.

(Elio Mollo)

Como te pressinto


Eu te pressinto em todas as horas,
Nos momentos de maior emoção,
Quando meu coração rememora,
O afeto transformado em paixão.

Eu te pressinto no instante de ternura,
Nas lembranças de todos os devaneios,
Naquele gesto de incontida doçura,
Em que o espírito se desprende em enleios.

Eu te pressinto na intensa alegria,
Nos profundos recolhimentos d'alma,
E nas crises em que anseio por calma.

Eu te pressinto na variedade de cada dia,
Na explosão do desejo oculto e vigoroso,
E na expressão do sentimento carinhoso.

(Vânia Moreira Diniz)