sábado, 4 de agosto de 2007

Se eu te dissesse


SE EU te dissesse que cindindo os mares,
Triste, pendido sobre a vítrea vaga,
Eu desfolhava de teu nome as pétalas
Ao salso vento, que as marés afaga...

Se eu te dissesse que por ermos cimos,
Por ínvios trilhos de uni país distante,
Teu casto riso, teu olhar celeste
Ungia o lábio ao viajor errante;

Se eu te dissesse que do alvergue à ermida,
Do monte ao vale, da chapada à selva,
Junta comigo vagueou tua alma;
Junta comigo pernoitou na relva;

Se eu te dissesse que ao relento frio
Dei minha fronte à viração gemente,
E olhando o rumo de teu lar — saudoso,
Molhei as trevas de meu pranto algente;

Se eu te dissesse, bela flor das saias!
Que eu dei teu nome dos sertões às flores!...
E ousei, na trova em que os pastores gemem,
Por ti, senhora, improvisar de amores;

Se eu te dissesse que tu foste a concha
Que o peregrino traz da Terra Santa,
Mago amuleto que no seio mora,
Doce relíquia... talismã que encanta!... ;

Se eu te dissesse que tu foste a rosa
Que ornava a gorra ao menestrel divino;
Cruz que o Templário conchegava ao peito
Quando nas naves reboava o hino;

Se eu te dissse que tu és, criança!
O anjo-da-guarda que me orvalha as preces...;
Se eu te disserte... — Foi talvez mentira! —
Se eu te dissesse... Tu talvez dissesses...

(Castro Alves)


Posso tentar dizer-te, buscar definir... mas como explicar as alegrias que me dás, o valor das tuas palavras, o calor do teu abraço, a natureza do teu afeto brando e carinhoso?
Desejo viver com muita responsabilidade essa afeição que nos uniu e dar-te tudo aquilo que recebo de ti, meu querido e generoso poeta, para que continuemos juntos e felizes, desfrutando desse amor que nos impulsiona, repleto de contentamento e meigo companheirismo...

Amo-te no mais profundo do meu coração!!

Um comentário:

Orfeu disse...

apenas te dou, querida, o que aceitaste de mim: amor, que nada é se não fizer mais que um só feliz!
a tua fé no sentimento é a mão que eu precisava para deixar de voar sozinho... na noite fria do mundo!

se eu te dissesse... seria pura verdade... e tu com certeza dirias... que um amor não se pode desperdiçar... nunca!

sublime poema do Castro Alves (mais um)!!

e eu... amo-te muito, ainda mesmo quando a ilusória distancia nos separa!!

Até já, querida Angélica :)