domingo, 18 de novembro de 2007

Na minha Terra



Amo o vento da noite sussurrante
A tremer nos pinheiros
E a cantiga do pobre caminhante
No rancho dos tropeiros;

E os monótonos sons de uma viola
No tardio verão,
E a estrada que além se desenrola
No véu da escuridão;

A restinga d'areia onde rebenta
O oceano a bramir,
Onde a lua na praia macilenta
Vem pálida luzir;

E a névoa e flores e o doce ar cheiroso
Do amanhecer na serra,
E o céu azul e o manto nebuloso
Do céu de minha terra;

E o longo vale de florinhas cheio
E a névoa que desceu,
Como véu de donzela em branco seio,
Às estrelas do céu.

II

Não é mais bela, não, a argêntea praia
Que beija o mar do sul,
Onde eterno perfume a flor desmaia
E o céu é sempre azul;

Onde os serros fantásticos roxeiam
Nas tardes de verão
E os suspiros nos lábios incendeiam
E pulsa o coração!

Sonho da vida que doirou e azula
A fala dos amores,
Onde a mangueira ao vento que tremula
Sacode as brancas flores,

E é saudoso viver nessa dormência
Do lânguido sentir,
Nos enganos suaves da existência
Sentindo-se dormir;

Mais formoso não é: não doire embora
O verão tropical
Com seus rubores e alvacenta aurora
Na montanha natal,

Nem tão doirada se levante a lua
Pela noite do céu,
Mas venha triste, pensativa — e nua
Do prateado véu —

Que me importa?se as tardes purpurinas
E as auroras dali
Não deram luz às diáfamas cortinas
Do leito onde eu nasci?

Se adormeço tranqüilo no teu seio
E perfuma-se a flor
Que Deus abriu no peito do Poeta,
Gotejante de amor?

Minha terra sombria, és sempre bela,
Inda pálida a vida
Como o sono inocente da donzela
No deserto dormida!

No italiano céu nem mais suaves
São as noites os amores,
Não tem mais fogo o cântigo das aves
Nem o vale mais flores!

III

Quando o gênio da noite vaporosa
Pela encosta bravia
Na laranjeira em flor toda orvalhosa
De aroma se inebria,
No luar junto à sombra recendente
De um arvoredo em flor,
Que Saudades e amor que influi na mente
Da montanha o frescor!

E quando à noite no luar saudoso
Minha pálida amante
Ergue seus olhos úmidos de gozo,
E o lábio palpitante...

Cheia de argêntea luz do firmamento
Orando por seu Deus,
Então... eu curvo a fronte ao sentimento
Sobre os joelhos seus...

E quando sua voz entre harmonias
Sufoca-se de amor,
E dobra a fronte bela de magias
Como pálida flor,

E a arma pura nos seus olhos brilha
Em desmaiado véu,
Como de um anjo na cheirosa trilha
Respiro o amor do céu!

Melhor a viração uma por uma
Vem as folhas tremer,
E a floresta saudosa se perfuma
Da noite no morrer,

E eu amo as flores e o doce ar mimoso
Do amanhecer da serra
E o céu azul e o manto nebuloso
Do céu de minha terra!

(Álvares de Azevedo)




Mais um poeta nascido em Terra de Santa Cruz, Álvares de Azevedo, numa saudosa canção…

Apenas para dizer-te, carino mio, do que vem repleto meu Ser:

Os caminhos que me levaram a transpor hemisférios, trouxeram-me de regresso ao lar… bem aqui… sempre ao teu lado e feliz como jamais sonhei :)

AMO-TE !!

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Miei sorrisi sono tutti per te




P´lo teu teclado, que palavras expressarão
Minha felicidade por estarmos enfim juntos,
Por caminhar para sempre te segurando a mão,
Por ser este amor o nosso abençoado pão?

Hoje e sempre, firma teu olhar, tua fé em mim,
E guardarei-me ao alcance do teu meigo abraço!
Neste dia e sempre, amore mio p´ra quem vim
De longe, na distância do tempo, passo a passo,

Sonhar acordado, sorrir e viver ao teu lado,
Ser teu par e teu lar, teu mar e tua laguna,
E construir, alicerçando contigo o destino sonhado,

Em que cada dia é de retribuir, grato à vida,
E cada noite é de sereno luar, aos filhos legando
O exemplo do coração, a magna e vera cartilha...


( DV - Laguna, SC, 16/10/2007 )




E pelo teu teclado agradeço, comovida e ditosa,

a tua generosa oferta...

Generosa como tudo o mais que dedicas a nós dois!

Nós dois aqui, finalmente juntos e felizes,

felizes e radiantes pelo sonho que sonhamos...

Sonho ou conto de fadas?

Contos de poetas ou sonhos de bailarinas?

E acima de todos os sonhos, pairando soberano,

o reino do amor puro e verdadeiro,

para sempre teu...

Eu poderia escrever tanto, sem nunca sentir-me satisfeita,

por não achar que consiga expressar todo o contentamento,

o sentimento de graditão por este teu amor carinhoso,

por esta vida de sorrisos,

por cada gesto ou palavra doce,

por este afeto protetor que me ofertas...

Obrigada :)


Amo-te com toda minh´alma !!

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Eros e Psique



Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


(Fernando Pessoa)




A ti, meu primoroso amor, somente a ti...

Hoje e sempre que o amor expandir-se ao infinito, sufocando o pensar, inebriando o sentir... para que saibas tudo o que trago aqui dentro, ainda que as palavras não capturem tamanha força...

Juntos conquistaremos e entendimento de toda a simbologia que envolve estes dois seres imortais e da personificação que nos trazem em torno da universalidade e da perfeição :)

Um beijo com todo o meu coração agradecido :)


sábado, 22 de setembro de 2007

Velha Infância


Você é assim,
Um sonho pra mim,
E quando eu não te vejo.
Eu penso em você,
Desde o amanhecer,
Até quando eu me deito.

Eu gosto de você.
E gosto de ficar com você.
Meu riso é tão feliz contigo.
O meu melhor amigo é o meu amor.

E a gente canta,
E a gente dança
E a gente não se cansa.
De ser criança,
A gente brinca,
Na nossa velha infância.

Seus olhos meu clarão.
Me guiam dentro da escuridão.
Seus pés me abrem o caminho.
Eu sigo e nunca me sinto só.

Você é assim,
Um sonho pra mim,
Quero te encher de beijos.
Eu penso em você,
Desde o amanhecer,
Até quando eu me deito.

Eu gosto de você,
E gosto de ficar com você.
Meu riso é tão feliz contigo.
O meu melhor amigo é o meu amor.

E a gente canta,
E a gente dançar,
E a gente não se cansa.
De ser criança,
A gente brinca
Na nossa velha infância.

Seus olhos meu clarão,
Me guiam dentro da escuridão.
Seus pés me abrem um caminho.
Eu sigo e nunca me sinto só.

Você é assim, um sonho pra mim, você é assim.
Você é assim, um sonho pra mim, você é assim.


(Marisa Monte)



quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Estrelas



" 'Oras (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdestes o senso!' E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouví-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como uma pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: 'Tresloucado amigo!
Que conversas com ela? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?'

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode Ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender as estrelas."


(Olavo Bilac)


Em agradecimento ao acontecimento último, em que senti-me no céu, envolta em estrelas, amparada pelos anjos de Deus...

Mio Cielo



Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!


(Mario Quintana - Das Utopias)

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Se te amo, não sei!




Amar! se te amo, não sei.
Oiço aí pronunciar
Essa palavra de modo
Que não sei o que é amar.


Se amar é sonhar contigo,
Se é pensar, velando, em ti,
Se é ter-te n'alma presente
Todo esquecido de mim!


Se é cobiçar-te, querer-te
Como uma bênção dos céus
A ti somente na terra
Como lá em cima a Deus;


Se é dar a vida, o futuro,
Para dizer que te amei:
Amo; porém se te amo
Como oiço dizer, — não sei.


Sei que se um gênio bom me aparecesse
E tronos, glórias, ilusões floridas,
E os tesouros da terra me oferecesse
E as riquezas que o mar tem escondidas;


E do outro lado — a ti somente, — e o gozo
Efêmero e precário — e após a morte;
E me dissesse: "Escolhe" — oh! jubiloso,
Exclamara, senhor da minha sorte! —


"Que tesouro na terra há i que a iguale?
Quero-a mil vezes, de joelhos — sim!
Bendita a vida que tal preço vale,
E que merece de acabar assim!"


(Gonçalvez Dias - Manaus - 25 de junho de 1861)




quarta-feira, 5 de setembro de 2007

A Flor em Botão



Nova vida esculpida sem medo
da chuva de granizo
Durante o amor (des) medido
Com o olhar que não precisa
da luz do candeeiro sustentado
pela mão do horizonte

Veio de um favo de mel feito
do néctar de análise apurada
Nesta colméia o zangão não é
ocioso e a rainha mestra
administra e ama constantemente

Será como o reflexo do espelho
animado pela graciosa valsa
dos rios

Antes eu apenas arranhava as
cordas desafinadas de uma harpa
Agora toco e sensibilizo os
ouvidos do vento e ouço a mesma canção

Amo-lhe além do subjetivismo
Além do poder da idéia
Além da sensibilidade escrita
nos planos do menestrel

É ainda como a flor em botão
Mas receberá nos rápidos passos
das horas em suas pétalas as
cores definitivas que a levarão
ao êxito.

Outono de 1986

(JAS)



A ti, querido e amado pai, porque sei que ainda a cantas para mim...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Canção do Exílio



"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

(Gonçalves Dias)



Não que seja esta a minha grande saudade... ;)

Mas desejei expor aqui uma de minhas preferências poéticas, um brasileiro longe do seu lar, náufrago em terras portuguesas...

Para vermos que nem sempre os critérios para a felicidade são iguais para todos... :)

E que Deus reserva-nos exatamente aquilo de que precisamos, ainda que como crianças, não entendamos de pronto Seus justos desígnios...

Hoje minha saudade de ti fala mais alto, querido, mas nem por isso esquecerei nosso almejado reencontro já marcado, definido e inadiável... :)

Mi piace tutto di te... per questo il mio immenso amore...




segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A Bailarina



Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá

Não conhece nem lá nem si
mas fecha os olhos e sorri

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

(Cecília Meireles)


terça-feira, 14 de agosto de 2007

AMOR



Ainda que eu falasse línguas,
as dos homens e as dos anjos,
se eu não tivesse amor,
seria como um bronze que soa
ou como um címbalo que tine.

Ainda que eu tivesse o dom da profecia,
o conhecimento de todos os mistérios
e de toda a ciência,
ainda que tivesse toda a fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tivesse amor,
eu nada seria.

Ainda que eu distribuísse
todos os meus bens aos famintos,
ainda que eu entregasse o meu corpo às chamas,
se não tivesse amor,
isso nada me adiantaria.

O amor é paciente
o amor é prestativo
não é invejoso, não se ostenta,
não se enche de orgulho.

Nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
não se irrita, não guarda rancor.

Não se alegra com a injustiça,
mas se regozija com a verdade,
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.

Quanto às profecias, desaparecerão.
Quanto às línguas, cessarão.
Quanto à ciência, também desaparecerá.
Pois o nosso conhecimento é limitado,
e limitada é nossa profecia.

Mas quando vier a perfeição,
o que é limitado desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança,
pensava como criança, raciocinava como criança.

Depois que me tornei homem,
fiz desaparecer o que era próprio de menino.
Agora vemos em espelho e de maneira confusa,
mas, depois, veremos face a face.

Agora o meu conhecimento é limitado,
mas, depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora, portanto, permanecem fé, esperança, amor.
Estas três coisas.
A maior delas porém,
...é o AMOR.


(Apóstolo Paulo, aos Coríntios)



Ao nosso dia de hoje, meu amado e querido poeta, uma homenagem por todas as valiosas surpresas que recebemos da Vida e do Celeste Pai, meu canto de agradecimento por mais estes sorrisos... teus, todos teus e para sempre teus, na alegria de compartilhar contigo destes momentos inesquecíveis...

Ti sono molto grata, oggi e sempre, mio dolce amore :)

domingo, 12 de agosto de 2007

A paz sem vencedor e sem vencidos



A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos


(Sophia de Mello Breyner Andresen)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Sina



A' tardinha quando Phebo já declina
ungida de ternura e suavidade, eu me
ponho a cismar, sem que me enfade,
na escravidão de amor, que é minha Sina!


E sobre o astro Sol, parece que reclina
um Deus soberbo da pagã Hellade...
outro não tem maior virilidade...
nem se iguala em graça masculina!


Então apresso-me a venerar seu vulto,
e, enquanto o coração repica o sino
meus lábios ofertam preces de culto!...


Sonhar assim é meu prazer supino,
e dentro deste templo vibro e exulto,
se devota de ti eu me imagino!...

(Efigênia Coutinho)

Oração a Jesus


Louvado sejas, Senhor,
Na glória do lar celeste,
Pelos bens que nos trouxeste,
No evangelho da nossa redenção.
Na tarefa renovada,
Que Teu olhar nos consente,
De Espíritos referentes,
Nós rogamos pelo Teu amor.
Pobres cegos,
Que desde ontem,
Fugimos à luz à qual nos elevas,
Hoje a nossa oração rompe as trevas.
Escuta-nos, Mestre,
E se possível vem,
Retificar nosso passo,
A fim de que trilhemos
A estrada corrigida.
Vem sustentar-nos a lida,
Na fonte inesgotável do eterno bem.
Dá-nos, Jesus, Tua benção,
Benção que nos conforta,
Benção que nos levanta,
Para que Tua Doutrina santa,
Esse imbatível consolador,
Vibre pura, viva dentro de nós.
Faze, senhor,
Com que nós todos,
Nesta caminhada incessante,
A cada dia, a cada instante,
Possamos ouvir-Te a voz.
Ampara-nos a esperança,
Socorre-nos a pobreza,
E liberta nossa alma ainda presa
De tanta milenária imperfeição.
Mestre excelso de toda a verdade,
Hoje, amanhã,
E sempre em toda parte,
Ensina-nos a guardar-Te,
Com unção,
Com devoção,
E com inesgotável gratidão,
Na intimidade sincera,
Ainda que singela,
Do nosso próprio coração.

Muito obrigado, Senhor!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Amore mio

O verdadeiro amor nunca se esgota...
Quanto mais se dá, mais se tem...
(Saint-Exupéry)


... um terço de dia ao pé de ti...

tua voz embalando meus pensamentos com sonhos e planos...

perdão! nem assim deixo de estar saudosa...

tu... és sempre tu...

aquela brisa que dirige a embarcação pelo mar da vida...

tuas generosas e seguras sugestões...

teus cantos de amor...

o verão que teima em permanecer em mim...

o frio da saudade dissipado pelo vento quente do infinito...

se eu pudesse definir...

fazer-te sentir...

o que trago em meu peito...

desfeitas... todas as tristezas...

seguras incertezas...

na luz do teu sorriso...

na espontaneidade do gesto...

no carinho retido num suspiro...

quero atender teus pedidos...

desejo estar contigo...

sim, floresce o tempo...

perde-se as horas... ganha-se o reencontro?

se és da correnteza o leme e da barca a bússola...

que direi de mim?

de onde veio a coragem, amore mio...

por que nenhum receio nos invadiu?

será Deus a guiar-nos?

olhos de aurora... passos de gratidão...

sentimento de retorno ao lar...

(MP)

Eterno Paraíso



Nunca será tarde para murmurar teu nome
para cantarolar as cantigas antigas
para navegar ao vento a todo pano
e banhar-me nas águas do teu mar.

Nunca será tarde para retirar a cinza
acumulada nesta ausência desta estrada
para desbaratar os laços de desilusões
e voltar a rir outra vez entre as flores...

Se eu escutar o arrebatamento dos
teus sonhos, tuas mãos para aquecer-me...
teus beijos, o sumo que enternece-me
e em teus passos o desejo de buscar-me...

que mova-se todo o Universo a nossa volta
e recriaremos para nós o Eterno Paraíso...

(Efigênia Coutinho)


O Ballet


Danço,
Não apenas por dançar,
Mas por sentir em cada partícula de meu corpo
As notas de uma música que nunca pára;
Uma música que surge dentro de mim
cada vez que eu penso em dança.

Meu corpo ganha uma via exuberante,
Um brilho que nenhum ser humano tem,
Minhas mãos falam várias línguas,
Que todos conseguem entender.

Meus pés ganham vida como se dançassem sós,
Meu corpo grita,
todas as palavras do meu espírito,
Como se nunca tivesse falado.

Isso é dançar,
Isso é viver a dança,
E sentí-la cada vez mais.

Isso é apenas dançar...

sábado, 4 de agosto de 2007

Se eu te dissesse


SE EU te dissesse que cindindo os mares,
Triste, pendido sobre a vítrea vaga,
Eu desfolhava de teu nome as pétalas
Ao salso vento, que as marés afaga...

Se eu te dissesse que por ermos cimos,
Por ínvios trilhos de uni país distante,
Teu casto riso, teu olhar celeste
Ungia o lábio ao viajor errante;

Se eu te dissesse que do alvergue à ermida,
Do monte ao vale, da chapada à selva,
Junta comigo vagueou tua alma;
Junta comigo pernoitou na relva;

Se eu te dissesse que ao relento frio
Dei minha fronte à viração gemente,
E olhando o rumo de teu lar — saudoso,
Molhei as trevas de meu pranto algente;

Se eu te dissesse, bela flor das saias!
Que eu dei teu nome dos sertões às flores!...
E ousei, na trova em que os pastores gemem,
Por ti, senhora, improvisar de amores;

Se eu te dissesse que tu foste a concha
Que o peregrino traz da Terra Santa,
Mago amuleto que no seio mora,
Doce relíquia... talismã que encanta!... ;

Se eu te dissesse que tu foste a rosa
Que ornava a gorra ao menestrel divino;
Cruz que o Templário conchegava ao peito
Quando nas naves reboava o hino;

Se eu te dissse que tu és, criança!
O anjo-da-guarda que me orvalha as preces...;
Se eu te disserte... — Foi talvez mentira! —
Se eu te dissesse... Tu talvez dissesses...

(Castro Alves)


Posso tentar dizer-te, buscar definir... mas como explicar as alegrias que me dás, o valor das tuas palavras, o calor do teu abraço, a natureza do teu afeto brando e carinhoso?
Desejo viver com muita responsabilidade essa afeição que nos uniu e dar-te tudo aquilo que recebo de ti, meu querido e generoso poeta, para que continuemos juntos e felizes, desfrutando desse amor que nos impulsiona, repleto de contentamento e meigo companheirismo...

Amo-te no mais profundo do meu coração!!

Amar e ser amado



Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente

Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!

Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento:

Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano —,
Beijar teus dedos em delírio insano

Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante — amado —
Como um anjo feliz... que pensamento!?

(Castro Alves)

Falar de amor...



Falar de amor significa falar de Deus
Da harmonia que envolve os filhos Seus.

Falar de amor significa falar da vida
Da força que põe a alma sempre para cima.

Falar de amor significa falar de nossas relações
Daquelas que nos faz viver as mais belas emoções.

Falar de amor significa falar da natureza
Da energia que transforma tudo em beleza.

Falar de amor significa falar do progresso
Do trabalho que resulta em sucesso.

Falar de amor significa falar de ação.
Da vida que está em contínua movimentação.

Oh! Belo Amor
Tu és a força do Criador
És o único agente
que pode suprimir a dor.

(Elio Mollo)

Como te pressinto


Eu te pressinto em todas as horas,
Nos momentos de maior emoção,
Quando meu coração rememora,
O afeto transformado em paixão.

Eu te pressinto no instante de ternura,
Nas lembranças de todos os devaneios,
Naquele gesto de incontida doçura,
Em que o espírito se desprende em enleios.

Eu te pressinto na intensa alegria,
Nos profundos recolhimentos d'alma,
E nas crises em que anseio por calma.

Eu te pressinto na variedade de cada dia,
Na explosão do desejo oculto e vigoroso,
E na expressão do sentimento carinhoso.

(Vânia Moreira Diniz)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Poema da Gratidão



Senhor Jesus, muito obrigada!
Pelo ar que nos dás,
pelo pão que nos deste,
pela roupa que nos veste,
pela alegria que possuímos,
por tudo de que nos nutrimos
Muito obrigada, pela beleza da paisagem,
pelas aves que voam no céu de anil,
pelas Tuas dádivas mil!

Muito obrigada, Senhor!
Pelos olhos que temos...
Olhos que vêem o céu, que vêem a terra e o mar,
que contemplam toda beleza!
Olhos que iluminam de amor
ante o majestoso festival de cor
da generosa Natureza!

E os que perderam a visão?
Deixa-me rogar por eles
Ao Teu nobre coração!
Eu sei que depois desta vida,
Além da morte,
voltarão a ver com alegria incontida...

Muito obrigada pelos ouvidos meus,
pelos ouvidos que me foram dados por Deus.
Obrigada, Senhor, porque posso escutar
O Teu nome sublime, e, assim, posso amar.
Obrigada pelos ouvidos que registram:
a sinfonia da vida,
no trabalho, na dor, na lida...
O gemido e o canto do vento nos galhos do olmeiro,
as lágrimas doridas do mundo inteiro
e a voz longínqua do cancioneiro...
E os que perderam a faculdade de escutar?
Deixa-me por eles rogar...
Sei que em Teu Reino voltarão a sonhar.

Obrigada, Senhor, pela minha voz.
Mas também pela voz que ama,
pela voz que canta,
pela voz que ajuda,
pela voz que socorre,
pela voz que ensina,
pela voz que ilumina...

E pela voz que fala de amor,
obrigada, Senhor!
Recordo-me, sofrendo, daqueles
que perderam o dom de falar
E o Teu nome não podem pronunciar!...
Os que vivem atormentados na afasia
e não podem cantar nem à noite, nem ao dia...
Eu suplico por eles
sabendo, porém, que mais tarde,
No Teu Reino voltarão a falar.

Obrigada, Senhor, por estas mãos, que são minhas
alavancas da ação, do progresso, da redenção.
Agradeço pelas mãos que acenam adeuses,
pelas mãos que fazem ternura,
e que socorrem na amargura;
pelas mãos que acarinham,
pelas mãos que elaboram as leis
pelas mãos que cicatrizam feridas
retificando as carnes sofridas
balsamizando as dores de muitas vidas!
Pelas mãos que trabalham o solo,
que amparam o sofrimento e estacam lágrimas,
pelas mãos que ajudam os que sofrem,
os que padecem...
Pelas mãos que brilham nestes traços,
como estrelas sublimes fulgindo em meus braços!

...E pelos pés que me levam a marchar,
ereta, firme a caminhar;
pés da renúncia que seguem
humildes e nobres sem reclamar.
E os que estão amputados, os aleijados,
os feridos e os deformados,
os que estão retidos na expiação
por ilusões doutra encarnação,
eu rogo por eles e posso afirmar
que no Teu Reino, após a lida
dolorosa da vida,
hão de poder bailar
e em transportes sublimes outros braços afagar...
Sei que a Ti tudo é possível
Mesmo o que ao mundo parece impossível!

Obrigada, Senhor, pelo meu lar,
o recanto de paz ou escola de amor,
a mansão de glória.
Obrigada, Senhor, pelo amor que eu tenho
e pelo lar que é meu...
Mas, se eu sequer
nem o lar tiver
ou teto amigo para me aconchegar
nem outro abrigo para me confortar,
se eu não possuir nada,
senão as estradas e as estrelas do céu,
como leito de repouso e o suave lençol,
e ao meu lado ninguém existir, vivendo e
chorando sozinha, ao léu...
Sem alguém para me consolar
Direi, cantarei, ainda:
Obrigada, Senhor,
porque Te amo e sei que me amas,
porque me deste a vida
jovial, alegre, por Teu amor favorecida...

Obrigada, Senhor, porque nasci,
Obrigada, porque creio em Ti.
...E porque me socorres com amor,
Hoje e sempre,
Obrigada, Senhor!

Poema de Amélia Rodrigues, recebido pelo médium Divaldo Pereira Franco,
em Buenos Aires, Argentina, 21/11/62


Hoje desejei entoar à Vida uma prece de agradecimento e vali-me destas palavras de Amélia... Por tudo agradeço... mas o carinho de hoje é especialmente direcionado a ti, meu querido irmãozinho, cuja companhia concedeu-me Deus para facilitar a marcha, aliviar o coração, aquecer a alma... Agradeço pela tua existência, pela confiança que teu anjo depositou em mim - minha linda e amada irmãzinha, por encontrares alento no último momento de aflição... que os infortúnios possam sempre estreitar a nossa fraterna afeição... quantas vezes encontrei em ti o conforto para uma tristeza, ainda que passageira... :) Sejam tuas as minhas alegrias, sejam meus os teus sorrisos, seja nossa a felicidade de possuir um amor como este...
Amo-te com o mais puro amor fraterno!

E copio tuas frases vez por outra... ;)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Homenagem


Ó Terra - mãe devotada,
A ti, nosso eterno preito
De gratidão, de respeito
Na vida espiritual !
Que o Pai de Graça Infinita
Te santifique a grandeza
E abençoe a natureza
Do teu seio maternal !

Quando errávamos aflitos,
No abismo de sombra densa,
Reformaste-nos a crença
No dia renovador.
Envolveste-nos, bondosa,
Nos teus fluidos de agasalho,
Reservaste-nos trabalho
Na divina lei do amor.

Suportaste-nos sem queixa
O menosprezo impensado,
No sublime apostolado
De terno e infinito bem.
Em resposta aos nossos crimes,
Abriste nosso futuro,
Desde as trevas do chão duro
Aos templos de luz do Além.

Em teus campos de trabalho,
No transcurso de mil vidas,
Saramos negras feridas,
Tivemos lições de escol.
Nas tuas correntes santas
De amor e renascimento.
Nosso escuro pensamento
Vestiu-se de claro sol.

Agradecemos-te a bênção
Da vida que nos emprestas;
Teus rios, tuas florestas,
Teus horizontes de anil,
Tuas árvores augustas,
Tuas cidades frementes,
Tuas flores inocentes
Do campo primaveril !...

Agradecemos-te as dores
Que, generosa, nos deste,
Para a jornada celeste
Na montanha de ascensão.
Pelas lágrimas pungentes,
Pelos pungentes espinhos,
Pelas pedras dos caminhos:
Nosso amor e gratidão !

Em troca dos sofrimentos,
Das ânsias, dos pesadelos,
Recebemos-te os desvelos
De mãe de crentes e incréus.
Sê bendita para sempre
Com tuas chagas e cruzes !
As aflições que produzes !
São alegrias nos céus.

Ó Terra - mãe devotada,
A ti, nosso eterno preito
De gratidão, de respeito,
Na vida espiritual !
Qua o Pai de Graça Infinita
Te santifique a grandeza
E abençoe a natureza
Do teu seio maternal !


De André Luis, na obra Obreiros da Vida Eterna, psicografia de Chico Xavier

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Meu primeiro desafio



As palavras que seguem representam minha tentativa de corresponder ao teu desafio, querido Orfeu ...

Eu quero: "a Vida sempre assim"… como a música do imortal Tom Jobim…
Eu tenho: a certeza e a consolação da fé…
Eu acho:
que tenho ainda muito o que aprender, num longo caminho a percorrer…
Eu odeio: ver uma criança sofrer…

Eu sinto saudade:
das mulheres da minha vida… mamãe, vovó, ama e amigas…
Eu escuto: as trovoadas em tardes de verão e alegro-me…

Eu cheiro:
o perfume das rosas…
Eu imploro: forças para honrar todas as bênçãos que Deus me deu…

Eu procuro:
errar menos, acertar mais…
Eu arrependo-me:
de não ter escutado minha intuição mais vezes…
Eu amo:
a lista é longa hihi… mas citarei as pessoas que ajudam-me a transformar dores em doces sorrisos, ao reconhecer que a simples presença fraterna ou uma palavra de carinho pode despertar um conforto sem igual… minha família, portanto, que tanto apoio imerecido me concede, especialmente mamãe querida, vovó adorável, Alice amiga… C. e J., meus irmãos queridos… Minhas sobrinhas fofas, J. e M.… C. e C., minhas lindas priminhas… Os amigos do coração… B., B., C., E., F., K., K., K., L., M., N., N., S. (em ordem alfabética hihi)... T. e D., meus mais novos irmãozinhos, recém chegados e conhecidos (será?...) e também, meu querido e amorável poeta, cuja lira ecoa em todas as veras do meu coração e confere-me paz, alento, um sentimento de regresso ao meu próprio lar, a mim mesma…
Eu sinto dor:
quando as pessoas confundem o amor e a posse…
Eu sinto falta: de meu amado pai, já distante da vida física…

Eu importo-me:
com a alegria diária, em transformar cada momento num cântico de amor…
Eu sempre: penso que poderia ter feito mais e melhor do que fiz… e tento compensar na próxima oportunidade…

Eu não fico: disposta a comparações… sou eu mesma e faço a minha parte, esperando da Vida a resposta correspondente…
Eu acredito:
na Evolução a caminho do Bem… tudo, absolutamente tudo pode ser alterado para melhor… e quantas vezes surpreendemo-nos com o pequenino esforço que despendemos para um resultado maravilhoso…
Eu danço: duas vezes por semana com hora marcada e em todas as outras horas do dia também… quando não há ninguém olhando, claro… hihi

Eu canto: sempre, sempre, ainda que não articule a música em voz alta…
Eu choro: muito raramente… quem me conhece pessoalmente pode atestar a veracidade dessa afirmação… hihi
Eu falho: por omissão… quando desconsidero minhas próprias opiniões para agir de acordo ao senso comum…
Eu luto: para conquistar a mim mesma…
Eu escrevo:
aos amigos queridos, geralmente para dizer o quanto os amo e que a presença deles é fundamental para os meus sorrisos… mas também, quando requisitada por uma certa pessoa… a quem agrada-me ver sorrir…
Eu ganho: quando doo de mim mesma em favor de outrem…

Eu perco: as horas, esqueço o tempo, ignoro tudo… quando estou contigo…
Eu nunca:
permito que a tristeza invada o meu ser… é uma questão de honra convencer-me a cada minuto que a vida é linda e perfeita…
Eu confundo-me:
comigo mesma… hihi
Eu estou: vivendo um sonho… que importa aceitar e sentir… sem idealizações… muito embora as razões do coração pareçam independentes e libertos da minha vontade…

Eu sou:
alguém interessada em caminhar a passos contínuos em direção à Vida Maior, vivendo cada momento como único, pensando o futuro sem deixar de viver o presente e os presentes do viver…
Eu tenho esperança: na educação das crianças, sobretudo naquela que as aproxima de Deus…

Eu preciso: lembrar-me constantemente que o rio segue o seu curso, apesar da minha inércia…
Eu deveria: tentar avaliar a Vida sob um ponto de vista mais sério e austero? Acho que não… hihi

E, quebrando a tradição dos bloguistas, deixo em aberto a nomeação para o próximo desafiado... vejamos qual dos queridos amigos se habilita. Em último caso, serei tentada a seguir o caminho tradicional e escolher um felizardo... :)

Un affectionate piccolo bacio a tutti gli amici!!

sábado, 23 de junho de 2007

Meu primeiro sorriso



De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.


Para inaugurar as alegres reflexões deste espaço, uma singela homenagem ao seu incentivador, senhor de todos os meus sorrisos!
Que sejamos sempre os amigos de hoje e que nossos corações permaneçam unidos na alegria que brota do amor desinteressado, fruto da afeição sincera, irmã da paz que retempera e consola...

Dolci baci per te!
Grazie per tutto!